Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!
QUERO APROVEITAR 🤙Operação Resgate de Metas: 63% OFF no 12Min Premium!
Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!
Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.
Editora: 12min
A Black Friday é a data de promoções que o comércio dos Estados Unidos criou para a sexta-feira seguinte ao feriado de Ação de Graças, celebrado lá sempre na quarta quinta-feira de novembro desde uma resolução do Congresso americano de 1941. Ela marca a abertura da temporada de compras de Natal. No Brasil, onde não existe Ação de Graças, lojistas importaram a data em 2010, e hoje ela é uma das principais do calendário do varejo nacional.
Para quem compra, é a época em que muita gente concentra a aquisição mais cara do ano, a televisão, a geladeira, o celular. Em 2025, a data caiu em 28 de novembro e registrou números altos: só na sexta, o comércio eletrônico faturou R$ 4,76 bilhões, 11,2% a mais que no ano anterior, segundo a Confi Neotrust. Ao mesmo tempo, um monitoramento de preços feito pela empresa de dados Timelens apontou que cerca de 45% dos produtos acompanhados chegaram à data sem economia real. Promessa de vantagem de um lado, desconfiança do outro: as duas coisas andam juntas desde a origem do nome.
A primeira vez que a expressão "Black Friday", literalmente "sexta-feira negra", apareceu nos Estados Unidos não teve nada a ver com lojas. Foi em 24 de setembro de 1869, quando os especuladores Jay Gould e James Fisk tentaram dominar o mercado de ouro na Bolsa de Nova York. O governo interveio, colocou mais ouro no mercado, os preços despencaram e muitos investidores perderam fortunas. "O adjetivo 'negro' foi usado durante muitos séculos para retratar diversos tipos de calamidades", afirma o linguista Benjamin Zimmer, editor-executivo do site Vocabulary.com, citado pela BBC.
A segunda história também é negativa. Segundo a pesquisadora Bonnie Taylor-Blake, da Universidade da Carolina do Norte, uma circular de 1951 da publicação Factory Management and Maintenance, voltada ao mercado de trabalho, já chamava assim a sexta após o feriado, ironizando os funcionários que faltavam ao trabalho: "A síndrome da sexta-feira após o Dia de Ação de Graças é uma doença cujos efeitos adversos só são superados pelos da peste bubônica", dizia o texto.
O uso que pegou veio da Filadélfia. Entre os anos 1950 e 1960, policiais da cidade usavam a expressão para descrever o caos de trânsito e de multidões provocado por quem saía às compras no dia seguinte ao feriado. Os lojistas não gostaram de ser associados a congestionamento e poluição e, segundo um jornal local de 1961, tentaram rebatizar a data de "Big Friday". Não colou. Com o tempo, o comércio deu ao termo a interpretação simpática que circula até hoje, a de que as contas saíam do vermelho e voltavam ao preto, ou seja, ao lucro. Não há provas de que tenha sido essa a origem, e as margens apertadas de um dia de grandes descontos tornam difícil medir quanto daquela receita vira lucro.
Vale desmontar um boato recorrente: não há evidência de que o nome venha de liquidações de pessoas escravizadas. A versão foi checada e desmentida por veículos brasileiros e estrangeiros, e o registro mais antigo da expressão aplicada à data é de 1951, muito depois do fim da escravidão nos Estados Unidos.
O termo ficou restrito à Filadélfia por décadas. Segundo Zimmer, ele só ultrapassou as fronteiras da cidade nos anos 1980 e se espalhou a partir de meados dos anos 1990. E, embora hoje seja tratada como o maior dia de compras do ano nos Estados Unidos, a data só assumiu esse posto nos anos 2000: antes disso, quem gastava mais era o sábado seguinte ao feriado.
A data nasceu nas lojas físicas, com filas na madrugada, e foi se espalhando pelo calendário. Em 2005, a equipe de marketing da Shop.org, divisão da federação que reúne os varejistas americanos, criou a Cyber Monday, na segunda-feira seguinte, para estimular a compra pela internet quando o comércio eletrônico ainda engatinhava.
No Brasil, o caminho foi outro. Como a data chegou em 2010, quando as lojas virtuais já eram populares, o foco ficou no e-commerce desde o começo. Na estreia, cerca de 50 lojas participaram e o movimento online foi de R$ 3 milhões, segundo levantamento da ClearSale. Em 2024, a Black Friday movimentou R$ 7,93 bilhões só na internet, de acordo com a Abiacom, associação do setor.
O que mudou mais recentemente é a duração. Varejistas passaram a antecipar ofertas e a esticar o período, criando a Black Week e o Black November. O estudo da Timelens registrou que, entre 2021 e 2025, as menções a "Black November" nas redes sociais cresceram 298,5%, e as de "Black Week", 105,3%, enquanto o termo original avançou 33,8%. Na prática, o "só hoje" que sustentava a data deixou de existir.
A exportação começou pelo Canadá, onde lojistas passaram a oferecer suas próprias liquidações ao ver clientes cruzarem a fronteira atrás de promoções americanas, mesmo com o Ação de Graças canadense ocorrendo um mês antes. No México, a data virou "El Buen Fin", o bom fim de semana, associada ao aniversário da revolução de 1910 e esticada por todo o fim de semana. Na Colômbia, 2024 marcou a décima edição, com descontos entre o fim de novembro e o começo de dezembro. Na Alemanha, segundo a federação do varejo do país, os consumidores gastaram cerca de 5,9 bilhões de euros em torno da data em 2024, contra 3,8 bilhões em 2020.
A China seguiu caminho próprio: o Singles' Day, em 11 de novembro, movimentava cerca de US$ 25 bilhões já em 2018, segundo dados apresentados em seminário da Folha, várias vezes o faturamento americano em data semelhante. O modelo das datas duplas nascido ali chegou ao Brasil pela Shopee em 2020 e hoje mobiliza outras grandes plataformas.
No Brasil, a reputação da data azedou cedo. Em 2012, o Procon de São Paulo notificou empresas por ofertas falsas, com preços elevados às vésperas para que o desconto parecesse maior, e o então assessor-chefe do órgão, Renan Ferraciolli, afirmou ao GLOBO que a maior parte das notificadas era reincidente. No ano seguinte, o Procon do Rio acompanhou em tempo real 60 produtos anunciados e encontrou apenas cinco com abatimento superior a 15%. Nas redes, veio o apelido que gruda até hoje, "Black Fraude", e a piada dos produtos que custam "a metade do dobro".
O setor reagiu com selo de credibilidade, código de ética para marcas participantes e ferramentas de histórico de preços. Ainda assim, na pesquisa Niq Ebit de 2024, 24% dos consumidores que não pretendiam gastar na data disseram que o motivo principal era não acreditar que existam descontos.
Os números recentes dão tamanho à queixa. A Timelens acompanhou 2.373 produtos no Buscapé entre setembro e dezembro de 2025. Na sexta-feira oficial, 16,1% dos itens tinham desconto acima de 15% e 28,4% caíam entre 5% e 15%. Os cerca de 45% restantes chegaram à data sem economia real: em 21% não houve desconto, em outros 21% o preço estava acima do praticado em período normal e, em 3,4%, subiu antes do evento para depois voltar ao patamar anterior, o que o estudo classifica como falso desconto. Linha branca e eletroportáteis tiveram quedas consistentes; mercado, farmácia, brinquedos e moda passaram praticamente sem alteração. O fenômeno não é só brasileiro: na Espanha, a organização de consumidores OCU apurou que, em 2018, apenas 37% dos produtos analisados estavam mais baratos na semana da Black Friday do que no mês anterior, e 22% tinham subido de preço.
A data também acumula críticas que não aparecem no anúncio. Organizações ambientais apontam o aumento de emissões ligado às entregas e ao descarte, e o Greenpeace chama a data de um dia negro para o meio ambiente. Em 2022, funcionários da Amazon e apoiadores fizeram greves e protestos em dezenas de países na sexta-feira da Black Friday, pedindo melhores salários e condições de trabalho; a empresa respondeu que oferece pagamento competitivo e benefícios. Movimentos como o Dia de Não Comprar Nada e o Green Friday propõem alternativas na mesma data.
Como a promoção hoje se estende por semanas, a comparação com um único dia perdeu sentido. A recomendação que aparece de forma mais consistente nas orientações de órgãos de defesa do consumidor e de especialistas em preços é olhar o histórico antes de comprar. Maurício Cascão, executivo da empresa dona do Zoom e do Buscapé, sugere montar uma lista de desejos e usar ferramentas de monitoramento, inclusive criando alertas para quando o produto estiver abaixo do valor praticado nos 40 dias anteriores. A advogada Carolina Vesentini, do Idec, recomenda pesquisar antes da data e guardar registro do preço, com captura de tela ou folheto, para conferir depois se a promoção era real.
Vale ainda checar a reputação da loja em serviços de reclamação e no Procon, simular o frete antes, já que uma entrega cara pode comer o desconto, e ler as políticas de troca e devolução. O Código de Defesa do Consumidor garante sete dias para desistir de compras feitas fora da loja física, contados a partir do recebimento. Se a oferta anunciada não for cumprida, a denúncia pode ser feita no site do Procon ou pelo telefone 151.
Antes da próxima promoção que aparecer na sua tela, você sabe por quanto o produto que você quer estava sendo vendido um mês atrás?
Ao se cadastrar, você ganhará um passe livre de 7 dias grátis para aproveitar tudo que o 12min tem a oferecer.
Agora o 12min também produz conteúdos próprios. 12min Originals é a ferram... (Leia mais)
De usuários já transformaram sua forma de se desenvolver
Média de avaliações na AppStore e no Google Play
Dos usuários do 12min melhoraram seu hábito de leitura
Cresca exponencialmente com o acesso a ideias poderosas de mais de 2.500 microbooks de não ficção.
Comece a aproveitar toda a biblioteca que o 12min tem a oferecer.
Não se preocupe, enviaremos um lembrete avisando que sua trial está finalizando.
O período de testes acaba aqui.
Aproveite o acesso ilimitado por 7 dias. Use nosso app e continue investindo em você mesmo por menos de R$14,92 por mês, ou apenas cancele antes do fim dos 7 dias e você não será cobrado.
Inicie seu teste gratuito



Agora você pode! Inicie um teste grátis e tenha acesso ao conhecimento dos maiores best-sellers de não ficção.